:: a concha em seu ouvido trazendo o barulho do mar ::

Este espaço foi criado com o intuito de mostrar tudo aquilo que se passa na cabeça de alguém. E esse alguém pode ser tu. Um espaço com pensamentos, frases, sentimentos e tudo aquilo que tá presente na vida de cada um de nós. A busca incessante do equilíbrio. Um espaço onde podemos anteceder suspiros e adiantar desesperos. Ou não.
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:: Sábado, Março 19, 2005 ::

Listen to the world




O show, realizado na África do Sul, contará com apresentações de Queen e Paul Rodgers, Annie Lennox, Johnny Clegg, Katie Melua, India Arie e os principais artistas sul-africanos, em prol da campanha contra a AIDS liderada por Nelson Mandela.

46664 é a campanha de Nelson Mandela para ajudar a aumentar a consciência global sobre o HIV/Aids. Lançada por Mandela, a campanha 46664 pretende ressaltar a urgência da Aids através de eventos ao vivo e iniciativas relacionadas à música.

Durante 18 anos - dos cerca de 30 em que ficou preso - o líder negro, ativista anti-apartheid, ganhador do Prêmio Nobel da Paz e ex-presidente sul-africano Nelson Mandela era conhecido como "46664", seu número de presidiário na penitenciária da Ilha Robben, na Cidade do Cabo, África do Sul. Sua identificação no cárcere acabou transformando-se no nome da campanha contra a AIDS e, em 2003, um enorme show foi realizado no estádio Green Point (veja os melhores momentos), na Cidade do Cabo, apresentando uma constelação de talentos musicais internacionais, como Beyonce, Bono, Dave Stewart, Queen e Anastasia, entre outros. Esse concerto foi o primeiro de muitos eventos planejados para todo o mundo, e agora, dois anos mais tarde, a luta continua com outro grande evento que será transmitido para o mundo todo via Internet. O UOL participa desta campanha com exclusividade no Brasil.

46664 - 2005

O concerto deste ano está alinhado ao tema do Dia Mundial da Aids em 2005, objetivando promover o reconhecimento de que hoje as mulheres são as maiores vítimas da epidemia de HIV/Aids. As infecções estão aumentando mais rapidamente entre as mulheres e meninas, que hoje representam 57% de todas as pessoas infectadas na África subsaariana, e 75% das pessoas entre 15 e 24 anos. Em todas as regiões do mundo os índices de infecção estão aumentando mais depressa entre as mulheres do que entre os homens.

Falando sobre o concerto, o ex-presidente Nelson Mandela disse: "46664 África do Sul vai ser um sucesso ainda maior do que nosso memorável concerto na Cidade do Cabo em 2003. Ele servirá para apoiar as iniciativas da Fundação Nelson Mandela e para mostrar ao mundo que a África do Sul está realmente enfrentando essa questão vital. E, mais importante, ele vai ajudar a angariar mais dinheiro para conduzir a batalha para ajudar as pessoas infectadas pela epidemia". Mandela acrescentou: "Estamos incrivelmente endividados ao doutor Plattner por seu generoso apoio, que nos permitirá não apenas realizar esse segundo concerto 46664 como também aplicar o dinheiro diretamente em projetos de minha fundação para sustentar nossa luta contra o HIV/Aids na África do Sul, e para ajudar especialmente o crescente número de mulheres infectadas".

Annie Lennox disse: "É um verdadeiro privilégio e uma honra para mim aparecer mais uma vez na África do Sul em nome da campanha 46664. Estou muito grata pela oportunidade de emprestar minha voz ao apelo por ações contra esse genocídio inaceitável, que continua eliminando milhões de homens, mulheres e crianças não apenas na África, mas em todo o mundo".

46664 será possível graças ao generoso apoio do filantropo professor doutor Hasso Plattner, que não apenas ofereceu o local para o concerto como também financiou totalmente seu custo, garantindo que 100% da renda dos ingressos sejam doados diretamente à Fundação Nelson Mandela, em nome dos artistas.

O concerto será produzido por Jim Beach (co-produzido com Jeffords Cecillon), juntamente com grande parte da equipe técnica do evento original, e será transmitido pela Internet por todo o mundo.


Pra fazer doações entra na página 46664.tiscali.com


E pra ouvir o show ao vivo, clica aqui.



:: 4:44 PM ::

escreve algumas linhas aê: _____________________________________________________________________________________
:: Sexta-feira, Março 18, 2005 ::

Tu já teve vontade de sair pela rua cobrando tudo o que te devem, seja lá o que for? Pois é, breve nos cinemas uma adaptação do conto "O cobrador", de Rubem Alves. "O Cobrador" (1979), um dos contos mais importantes de Rubem Fonseca, é narrado em primeira pessoa por um homem que resolve cobrar do mundo tudo o que o mundo supostamente lhe deve. Outros cinco contos farão parte do filme dirigido pelo mexicano Paul Leduc, os dois "Passeio Noturno", "Cidade de Deus", "O Jogo do Morto" e "Placebo". Ah, o ator principal será Lázaro Ramos.

A seguir trechos de "O Cobrador".

"Tão me devendo colégio, namorada, aparelho de som, respeito, sanduíche de mortadela no botequim da rua Vieira Fazenda, sorvete, bola de futebol."

"A rua cheia de gente. Digo, dentro da minha cabeça, e às vezes para fora, está todo mundo me devendo! Estão me devendo comida, (...), cobertor, sapato, casa, automóvel, relógio, dentes, estão me devendo. Um cego pede esmolas sacudindo uma cuia de alumínio com moedas. Dou um pontapé na cuia dele, o barulhinho das moedas me irrita. Rua Marechal Floriano, casa de armas, farmácia, banco, china, retratista, Light, vacina, médico, Ducal, gente aos montes. De manhã não se consegue andar na direção da Central, a multidão vem rolando como uma enorme lagarta ocupando toda a calçada."



:: 2:18 AM ::

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:: Quinta-feira, Março 17, 2005 ::

Salve salve...

Uma nova-velha maneira de se fazer poesia.


Alma em liquidação

Texto e áudio de Juliano Polimeno do Cabeza Marginal

"Não há sentido. Não adianta procurar razão nessas palavras. Se quiserem, procurem, podem até achar, mas cabe a vocês e não a mim entendê-las como verdade ou mentira. Me isento de qualquer responsabilidade. É isso mesmo, estou sendo irresponsável com as palavras, afinal, elas são minhas, faço o que quiser com elas. Vocês também tem esse direito é só usá-lo.
Quantas vozes vocês podem contar nesses 3 minutos de alucinação?
Uma delas pode ser a minha. Se encontrarem, assumo toda responsabilidade e dou de presente ao felizardo ou felizarda minha alma autografada com sangue coagulado."

Clica aqui pra ouvir. É, ouvir mesmo cabeção. É um link que te leva até a "poesia em forma de canção".



:: 4:20 PM ::

escreve algumas linhas aê: _____________________________________________________________________________________
:: Terça-feira, Março 15, 2005 ::

Se tu disser que nada disso aconteceu contigo um dia, ou tu tá mentindo, ou tu não sabe o que tá perdendo...


Cinco segundos

Por João Paulo Cuenca


"... levantei e lancei um último olhar na sua direção..."


Foi num dia daqueles em que o centro fica vazio, e o pessoal do escritório joga papel picado pela janela. Fim do ano e do expediente. Você apareceu, sorriu meia dúzia de amigas e sentou na mesa ao lado. Bebendo cerveja de garrafa e comendo amendoim, cabelo preso num coque. Os papéis chovendo pela janela. Depois de você ali, a cidade calou: bocas abrindo e fechando, garçons de gravata anotando pedidos, moleques pedindo moedas, ônibus relinchando, tudo sem emitir um pio sequer. No meio do povaréu, eu podia ouvir seus dentes quebrando os amendoins, goles descendo pela sua garganta, cílios se roçando num piscar de olhos. Senti seus lábios tateando meus ouvidos. Sua chegada condenou toda aquela gente à morte instantânea.

Naquele momento, fiquei sabendo de tudo. Que iríamos nos conhecer em cerca de meia hora, quando eu me levantasse para falar bonito, entre goles e nossos olhares de espadachim. Sabia que treparíamos poucos dias depois como dois desesperados, pais de filhos natimortos, nos enlevando como quem precisa. Fiquei sabendo, olhando para você na outra mesa, que nossa persistência seria comparável à teimosia de ditadores, cães loucos e donas de casa. Que nosso amor arrancado a fórceps seria perdido para ser encontrado depois, reencontrado depois, muitas vezes, quantas vezes fosse preciso.

Sabia que brigaríamos como nunca fizemos com ninguém antes e nos xingaríamos de nomes que você teria vergonha de contar até para si mesma. Mas depois faríamos as pazes, doentes de paixão, como nunca fizemos antes. Bêbados, dançando e rindo do que só nós dois poderíamos entender. Trocando a noite pelo dia, trancados por semanas aqui em casa, ouvindo música, vendo filmes, dormindo abraçados. Sabia que, rapidamente, ganharíamos intimidade: banheiro de porta aberta, beijo sem escovar os dentes, você fazendo café de calcinha. E sabia que você falaria, alguns meses depois, que eu era o melhor amante que você já teve. E você falaria que nunca mais iria querer outra pessoa.... (....) ... E sabia que você, entre muxoxos, diria que gostaria de acordar na minha cama todos os dias. Você até iria querer, essa nem eu esperava, me dar um molequinho de presente. Antes de você beber a cerveja do seu copo, eu já sabia como iria gostar de ouvir todas essas mentiras. E como iria te retribuir com verdades.

Também sabia que, mesmo assim, apesar e por causa disso, eu ficaria ciumento e obsessivo como um psicopata de cinema. Faria perguntas insidiosas sobre seu passado, ex-amantes e namorados. Sobre quem te levou para a cama e quem te deixou lá. Descobri que ficaria com taquicardia e mãos trêmulas ao imaginar você com outra pessoa, no futuro ou no passado. Descobri que você iria despertar o meu melhor e o meu pior, em proporções igualmente febris. E também descobri que iríamos superar isso. E, depois de um ano, nos casar: montaríamos um apartamento cheio de coisas suas e minhas. Um novo jeito de fazer tudo, nem seu, nem meu, mas nosso. Você me ensinaria, com seus modos calados, a viver melhor. Tomar banho lavando as costas, comer várias vezes por dia, pensar menos. Você iria combater meu impulso suicida contra o nosso amor. Não sei se você chegou a descobrir isso ainda, mas não é que o amor simplesmente acabe. O amor é morto em dias claros como este. Carrega em si a semente desse assassinato. Às vezes o crime é doloso. Mas o normal é que seja morto corriqueiramente, como um tropeço. Com você seria diferente. Descobri, só de olhar o jeito de o cabelo cair na sua testa, que você lutaria até o fim para que eu não esquartejasse o nosso amor. Você iria conseguir.

Sabendo disso tudo, foi como se não tivesse escolha. Deixei uns trocados na mesa, levantei e lancei um último olhar na sua direção, já quase virando a esquina. Depois disso, cheguei a te procurar em outros bares e saideiras. Em alguns meses, acabei esquecendo seus olhos verdes e, com eles, tudo que descobri, em não mais que cinco segundos, num dia daqueles em que o centro fica vazio, e a gente do escritório joga papel picado pela janela. O amor é morto em dias claros como este.


:: 2:48 AM ::

escreve algumas linhas aê: _____________________________________________________________________________________

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